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Outubro/2006
SETE REDES DE LANCHONETES SÃO PROCESSADAS POR VENDER FRANGO
CANCERÍGENO.
Um grupo de médicos
americanos anunciou na sexta-feira que entrou com uma ação contra as
redes de fast food McDonald´s e Burger King depois da descoberta de
substâncias cancerígenas no frango grelhado vendido em suas
lanchonetes no Estado da Califórnia (EUA).
A Comissão de
Militantes por uma Medicina Responsável (PCRM) entrou com uma ação
no Tribunal de Los Angeles contra sete redes de fast food para
obrigá-las a informar os consumidores sobre os riscos de câncer
contidos no frango grelhado.
"Cada uma das sete
amostras de frango grelhado, recolhidas em lanchonetes diferentes,
recebeu positivo para um composto cancerígeno perigoso chamado PhIP",
indicou a Comissão num comunicado.
O PhIP é uma amina
heterocíclica que pode ser desprendida quando as carnes são
grelhadas. "O frango grelhado pode provocar câncer, e os
consumidores precisam saber que este produto considerado saudável é,
na verdade, tão ruim quanto o frango grelhado saturado de gordura",
assegurou o presidente da PCRM, Neal Barnard.
Os médicos
apresentaram a ação com base na lei californiana que obriga os
restaurantes a advertirem os consumidores. Eles também estão
acionando as redes Chick-fil-A, Chilip´s, Applebee´s, Outback
Steakhouse e TGI Friday´s.
O grupo McDonald´s
foi alvo, neste ano, de uma série de ações que alegavam que as
batatas fritas continham glúten ou produtos lácteos. Pessoas
alérgicas a esses produtos teriam tido problemas após consumir
batata frita do MacDonald's.
LIMINAR SUSPENDE ARTIGOS DO CÓDIGO DE PROTEÇÃO AOS ANIMAIS DE SÃO
PAULO
MARCOS CÉZARI
da Folha de S.Paulo
O presidente do TJ
(Tribunal de Justiça) de São Paulo, desembargador Luiz Elias Tâmbara,
suspendeu diversos artigos da lei nº 11.977, de 25 de agosto, que
institui o Código de Proteção aos Animais do Estado.
De autoria do
deputado Ricardo Tripoli (PSDB), o Código tem sido motivo de
discussão. Enquanto entidades de defesa comemoram a lei, produtores
afirmam que ela pode provocar a desestabilização de importantes
atividades no Estado, além de representar um ônus a mais para o
setor.
A suspensão foi
concedida por Tâmbara via liminar (decisão provisória) ao analisar
uma Adin (Ação Direta de Inconstitucionalidade) requerida pela Faesp
(Federação da Agricultura do Estado de São Paulo) por intermédio da
advocacia Gandra Martins.
Segundo o
desembargador, a suspensão dos artigos vale desde o dia 10, sem
efeito retroativo. A suspensão terá validade até o julgamento
definitivo da Adin.
De forma geral,
foram suspensas várias proibições impostas pela lei, como forçar os
animais a trabalhos excessivos ou acima de suas forças, privá-los da
liberdade de movimentos e deixar os animais embarcados por mais de
seis horas sem água e alimento.
Foram suspensos
também os artigos 19 (obriga os abatedouros e matadouros a empregar
métodos científicos modernos de insensibilização antes da sangria
por instrumentos mecânicos) e 22 (proíbe as provas de rodeio e
espetáculos que usem instrumentos que induzam o animal a realizar
atividade ou comportamento que não se produziria sem o emprego de
artifícios).
Segundo a Faesp, a
lei viola a Constituição Federal e afronta a Constituição Estadual,
"interferindo diretamente na atividade da produção animal e no
agronegócio exercidos no Estado".
Para o presidente
da Faesp, Fábio Meirelles, a batalha jurídica não está encerrada.
"Conseguimos a suspensão dos dispositivos contestados na Justiça.
Assim, ganhamos uma etapa da batalha contra um instrumento jurídico
feito sem que fosse sequer consultado o setor produtivo, o mais
punido pelas suas conseqüências nefastas, como a desestabilização
das atividades, bem como da própria economia do Estado, além do
aumento do desemprego."
STF
O governador Geraldo Alckmin (PSDB) havia vetado a lei, mas o
veto foi derrubado pela Assembléia Legislativa.
Na terça-feira
(11), o STF (Supremo Tribunal Federal) informou que o governador
também ajuizou uma Ação Direta de Inconstitucionalidade, com pedido
de liminar, contra o Código.
Alckmin argumenta
que a lei viola diversos preceitos constitucionais e prejudica a
execução da política nacional do meio ambiente, a autonomia
universitária e a administração pública.
Selo de
qualidade
No dia 29 de setembro, em entrevista
à Folha Online,
Tripoli
disse que vê a lei como um "selo de qualidade" para o setor e que os
ajustes deverão ser feitos na regulamentação --com prazo de
conclusão para o início do próximo ano. Admitiu, porém, que deve ser
feita a revisão de alguns pontos, como o dispositivo que trata da
inseminação artificial.
Entre os pontos do
Código considerados conflitantes por entidades ligadas ao
agronegócio está um dos artigos que trata dos animais criados para o
consumo. O artigo 18 diz que é vedado "privar os animais de
liberdade de movimento, impedindo-lhes aqueles próprios da espécie;
submeter os animais a processos medicamentosos que levem à engorda
ou crescimento artificiais; impor aos animais condições reprodutivas
artificiais que desrespeitem seus respectivos ciclos biológicos
naturais".
A lei também proíbe
apresentações de animais em circos e, no caso de rodeios, estabelece
que não sejam usados instrumentos que provoquem reações nos animais,
entre outros itens. O Código restringe a utilização de bichos em
experimentos, além de determinar a criação de comissões de éticas
nas instituições que usam os animais em pesquisas. Conforme o
Código, fica vedada a morte de cães ou gatos por "métodos cruéis",
que incluem câmaras de descompressão ou gás, eletrochoque ou
qualquer método que provoque dor, estresse ou sofrimento.
VENDA DE ANIMAL EM CAMPINAS AGORA SÓ COM CERTIFICADO DE ORIGEM
A nova
lei municipal
12.478/2006, de autoria do vereador Feliciano Nahimy Filho (PV), que
obriga a emissão do Certificado de Origem Animal por parte dos
estabelecimentos comerciais, entrou em vigor no último dia 18/10, em
Campinas (SP).
O descumprimento da
lei prevê multa de 500 UFIC's (cerca de R$ 870,00), valor que dobra
em caso de reincidência e até possível cassação do alvará de
funcionamento. "A população será fiscal do cumprimento da lei e
deverá denunciar o estabelecimento que não cumpri-la", diz o
vereador.
Feliciano lembra
que a proposta foi elaborada devido à demanda de reclamações de
pessoas que adquiriam seu animal de estimação em lojas
especializadas e depois descobriam que estes eram portadores de
doenças, que muitas vezes os levavam à morte, "Além do prejuízo
financeiro com tratamentos e veterinários, havia o prejuízo
emocional de famílias inteiras que haviam se apegado ao animal",
afirma.
O vereador, além de
elaborar o projeto, participou de discussões entre executivo, o
legislativo, os criadores e donos de pet-shops sobre o modelo do
certificado para chegarem a uma conclusão. No documento há dados do
criador, registro da ninhada do animal, número da tatuagem ou chip,
atestado de saúde assinado pelo médico-veterinário do
estabelecimento, além de dicas de como cuidar dos filhotes.
As pessoas que não
receberem o certificado de origem animal no ato da compra em
estabelecimentos comerciais devem ligar no telefone 156 da
prefeitura e efetivar a denúncia.
CATADORES FAZEM DESFILE DE CARROÇAS EM ATO CONTRA A PREFEITURA DE
SÃO PAULO
Movimentos sociais
ligados aos catadores organizam 'desfile de carroças' e recebem
apoio do ‘Festival Latinoamericano de la Clase Obrera’ contra lei
sancionada pelo prefeito Gilberto Kassab (PFL) que proíbe uso de
tração animal.
SÃO PAULO - Pelo
menos 120 pessoas participaram de um protesto contra a repressão da
Prefeitura de São Paulo aos catadores de lixo reciclável da cidade.
Reunidos sob a marquise do Masp (Museu de Arte de São Paulo), em
plena avenida Paulista, os manifestantes (a maioria deles sem-teto,
catadores e militantes de movimentos populares) organizaram um
desfile das carroças de lixo no fim da tarde de segunda-feira (09).
A razão do protesto
é questionar a aplicação da lei n° 14.146, proposta pelo vereador
Roberto Trípoli (sem partido, ex-PSDB) e sancionada pelo prefeito
Gilberto Kassab (PFL), em abril deste ano. A lei proíbe carroças de
tração animal de circularem pelas ruas de São Paulo, e neste rol
estão incluídas as que são instrumentos de trabalho dos catadores. A
cidade, em seus 16 mil quilômetros de vias asfaltadas, abriga 2.500
carroças circulantes em um trânsito caótico, formado por quase seis
milhões de carros.
Segundo o texto
sancionado por Kassab, quem contrariar a lei terá sua carroça,
mercadoria ou animal apreendido, e para isso poderá ser usada força
policial. O prefeito vetou os artigos que previam a criação de
programas de requalificação profissional para os carroceiros e
manteve apenas as punições, que incluem o citado confisco. A
liberação do animal ou da carroça é feita mediante o pagamento de um
“resgate”, cujo valor é próximo de R$ 800.
O catador Edmilson
Vieira da Silva sofreu a punição por manter uma carroça de lixo
reciclável. Há 15 dias, ele estava trabalhando no Bom Retiro, quando
foi abordado por fiscais da prefeitura e pela Guarda Civil Municipal
(GCM). Edmilson, que recolhe materiais recicláveis desde 1999, ficou
sem a única fonte de renda da família e está preocupado com os
filhos. “Vou comprar outra carroça, porque não dá para ficar sem
trabalho”, diz ele.
Edmilson vive uma
situação singular: foi demitido da Volkswagen de São Bernardo, onde
trabalhou de 1986 a 1999 como montador de motores. Ele afirma que
soube das recentes ameaças de demissão de três mil funcionários da
Volkswagen pela televisão. “Eu sou como eles, eu quero paz para
trabalhar”, exclama o catador.
De acordo com o
defensor público Renato De Vitto, presente na manifestação, a lei de
Trípoli vai contra a Constituição Federal de 1988, já que impede o
direito ao trabalho dos catadores de lixo. “Esse é o tipo de lei que
cria uma exclusão social e coloca mais pessoas à margem da
sociedade”, reclama o defensor. Ele diz que é possível questionar a
lei na Justiça. Depende dos movimentos populares entrarem com uma
ação no Ministério Público.
Vídeo e cultura
Em
apoio ao protesto dos catadores, o Festival Latinoamericano de la
Clase Obrera (Felco) iniciou suas atividades em São Paulo na mesma
hora e local, com a exibição do vídeo “O Leviatã”, do cineasta
pernambucano Camilo Cavalcanti. O festival tem por princípio exibir
vídeos dedicados às lutas e à cultura da classe trabalhadora, bem
como reunir cineastas e intelectuais para debater a produção
“proletária” latino-americana.
Criado em 2004, no
auge das mobilizações populares argentinas, o Felco teve sua
primeira edição em Buenos Aires. A edição de 2005 foi realizada em
El Alto (Bolívia), uma cidade que fervilha nos últimos anos com a
agitação política dos movimentos sociais andinos.
O Brasil, além da
Bolívia e da Argentina, sediará o Felco em 2006. Maria Gutierrez,
uma das responsáveis pelo Festival em nosso país, explica que a
mostra inicial é itinerante e já começou. “Está havendo exibições de
vídeos em sindicatos, associações de moradores, centros acadêmicos e
outros lugares. Elas terminam em dezembro, quando começa a mostra
central de vídeos do festival”, diz ela.
“Qualquer um pode
enviar seu curta-metragem ou documentário para exibição. O único
critério é de que o vídeo seja sobre a classe trabalhadora”, detalha
Maria. O acervo do Felco no Brasil, até agora, reúne 65 filmes
registrados, cujos temas giram em torno de ocupações de sem-teto em
São Paulo (a ocupação Prestes Maia, por exemplo), terceirização do
trabalho ou outros assuntos relativos à realidade dos movimentos
sociais.
Segundo a
produtora, há uma rede de distribuição montada pela organização do
Felco, que inclui vários sindicatos e movimentos populares. Maria
relata que foram distribuídos 50 pacotes com 11 DVDs em cada um, e
quem os recebeu foram os militantes de movimentos sociais que
compõem a rede de distribuição. Caso a exibição atinja 50 pessoas
para cada DVD enviado, haverá 27.500 espectadores em todo o
Festival.
Para a exibição
central, que ocorre de 02 a 10 de dezembro, a equipe do Felco
pretende alugar um cinema na avenida Rio Branco. “Vai haver, ainda,
dois dias de exibição dos vídeos na Escola Nacional Florestan
Fernandes”, revela Maria, que se formou em Audiovisual na USP e
agora faz mestrado.
Para quem espera
uma mostra latina de “vídeos proletários”, a produtora avisa que há
muitas obras nacionais. “Nosso material é quase todo feito por
organizações não-governamentais brasileiras. Eu lamento que por aqui
os movimentos sociais não produzam tantos vídeos quanto as ONGs”,
afirma Maria. Outra proposta do Felco é dar início a uma “Frente de
Cultura da Periferia”, que vai agregar grupos de teatro de rua,
música, dança, cinema e rádio para dialogar sobre militância
política e cultura. |