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Dezembro/2006
APOCALIPSE
"Nascem 8,6
bebês por segundo no planeta e em torno de 743.040 ao dia. Mas não
morre o mesmo número de pessoas, fazendo com que o inchaço cresça
desmedidamente".
O mundo para os humanos está
restrito, por ora, ao planeta Terra. Planeta que está absurdamente
recebendo em torno de 6.1 bilhões de criaturas que lutam
desesperadamente para se manterem vivas.
Segundo os pesquisadores nascem
8,6 bebês por segundo no planeta e em torno de 743.040 ao dia. Mas
não morre o mesmo número de pessoas, fazendo com que o inchaço
cresça desmedidamente.
Todas essas criaturas e as
outras viventes competem por comida, água e trabalho, produzem lixo
e eliminam carbono e metano, gases nefastos à vida saudável.
O crescimento populacional
desordenado está impondo ao ser humano a privação do desenvolvimento
sustentável. Quanto maior o crescimento populacional, maior a
necessidade de área para produzir o sustento. Há inúmeras e
prejudiciais conseqüências desse crescimento desordenado. Uma delas
é o verdadeiro abate das florestas para alocar toda essa população
que vai surgindo.
Todos nós estamos assistindo
aos solavancos climáticos que atingem o planeta: terremotos,
erupções vulcânicas, maremotos, secas e inundações extremas. A
natureza já não pede socorro. Ela está se defendendo de seus
predadores. E os está eliminando naturalmente já que eles não
raciocinam no sentido de que não se pode por água numa tina além de
sua capacidade de armazenamento sob pena de vazamento.
O excesso de pessoas sobre o
planeta já mostra os desajustes sociais, estes inclementes para com
todos. A miséria e o desemprego grassam por toda a parte. A
tecnologia avança em velocidade incontrolável e os homens reduzem
tudo ao ínfimo. A mão-de-obra braçal é substituída sem
condescendência por técnicas cada vez mais sofisticadas.
O crescimento da população
mundial e um déficit cada vez mais significativo na produção de
alimentos decorrente da desarmonia climática vai forçar que as
populações esfomeadas busquem novas áreas onde possam sobreviver.
Isto não significa ser apocalíptico. Trata-se de mera constatação
que qualquer um pode fazer.
Atente-se para o que se passa
na Europa e nos Estados Unidos. Não é à toa que os americanos já
estão levantando o seu muro. Logo essas ações estarão espalhadas por
outros continentes e não nos surpreendamos se outras muralhas forem
erguidas aos moldes das civilizações antigas.
Não saberia dizer se para
quadro tão caótico há possibilidade de reversão sem que se prescinda
de uma gigantesca dizimação humana. Mas não posso deixar de
registrar que a miséria, a criminalidade, o fanatismo, a insensatez
e a inversão de valores éticos e morais (e porque não os religiosos
também) estão para nós como os tentáculos de algum ser aquático na
busca de sua cadeia de preservação.
É preciso pausar o crescimento
humano. Dar um pouco de descanso ao planeta. Ainda é possível
ajustar os engates e as roldanas. Mas tem de ser rápido porque o
tempo não espera e não faz concessões.
*
Artigo de Sandra Silva,
socióloga, acadêmica de Direito
E-mail:
sandrasilva33@yahoo.com.br |
APROVADA LEI QUE PROTEGE E REGULAMENTA O
USO DA AMAZÔNIA
O plenário da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (29), em
votação final, o Projeto de Lei 3285, de 1992, que consolida os limites da
Mata Atlântica, atribui função social à floresta e estabelece regras para
seu uso. Chega ao fim um debate que se prolongou por 14 anos no Congresso
Nacional. Esse é um marco importante na preservação do bioma. Com a
legislação consolidada, será mais fácil proteger a Mata Atlântica, cuja
área compreende menos de 8% da sua cobertura original atualmente, mas
encontra-se em bom estado de conservação.
"Após 14 anos, com o esforço da sociedade, com o entendimento dos
diferentes partidos, com a determinação e o compromisso do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva, assumido na Convenção sobre Diversidade Biológica,
temos hoje a aprovação do instrumento que vem contribuir para a
preservação de menos de 8% do que ainda resta da Mata Atlântica",
comemorou, na noite desta quarta-feira, a ministra do Meio Ambiente,
Marina Silva.
Ela lamentou o fato de que nos últimos 14 anos o bioma perdeu em média 100
mil hectares anualmente. "Mas é uma benção da democracia e da
responsabilidade socioambiental que, daqui para frente, nós não só
poderemos poupar 100 mil hectares por ano, mas resguardar em toda a parte
a vigorosa mata que abriga os sonhos e lutas do movimento socioambiental
brasileiro", destacou.
A
aprovação foi possível após um acordo entre os líderes dos partidos na
Câmara. Eles decidiram rejeitar o artigo 13, introduzido no texto pelo
Senado, que amenizava o conteúdo do artigo 46, inserido pelos próprios
deputados ainda nas primeiras votações e que tratava de indenizações. No
acordo de líderes, ficou decidido que o Ministério do Meio Ambiente vai
recomendar o veto do artigo 46 ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva,
que sancionará o projeto.
Para o secretário de Biodiversidade e Florestas do Ministério, João Paulo
Capobianco, o acordo é uma vitória. "O artigo 46 criaria uma potencial
indústria de indenizações. Defendemos, desde o início, que não fosse feita
referência a indenizações nesse projeto. Afinal, já existe uma lei que
trata especificamente do assunto. A recomendação desse veto já está
praticamente pronta", explicou Capobianco. "Esse projeto muda
completamente a história da Mata Atlântica. Finalmente, teremos uma série
de mecanismos, incentivos e procedimentos que apóiam quem preserva,
recompensam os que protegem o meio ambiente. O rigor das punições dos que
insistem em degradar também aumenta. Ele foi apreciado na Câmara, depois
no Senado e, agora, novamente na Câmara; todas essas votações aconteceram
durante a atual gestão", salientou o secretário.
O
projeto, de autoria do ex-deputado Fábio Feldman, permite a quem é
proprietário de uma área com vegetação nativa, maior do que a extensão
estipulada pela lei (20% da propriedade deve ser protegida como reserva
legal, além de áreas de preservação permanente, como margens de rio),
alugar uma parte da floresta para aquele que desmatou toda a sua
propriedade e precisa legalizar a situação com o governo. Com isso, a
floresta passa a ser considerada patrimônio com valor, passa a ser área
produtiva.
Ministra faz balanço
positivo no Conama
A ministra Marina Silva abriu ontem (29) a última reunião do Conselho
Nacional de Meio Ambiente (Conama), anunciando os nomes dos vencedores do
Prêmio Chico Mendes de 2006. A plenária, que encerra hoje, aprovou a
proposta de resolução como a que define os limites máximos de emissão de
poluentes atmosféricos por fontes fixas, além da revisão de artigos que
tratam da instalação de crematórios. Segundo a ministra, "o Conama é o
primeiro conselho nacional com caráter deliberativo". Marina fez uma
retrospectiva das realizações do Conama, suas contribuições ao setor
ambiental, como a aplicação de resoluções e reforço na legislação
existente. Para a ministra, os resultados alcançados demonstram que a
política ambiental pode fazer uma interação com a política nacional. Ela
lembrou que as normas que vigoram hoje para o meio ambiente foram fruto de
intensos debates com participação de importantes segmentos da sociedade.
CRIAÇÃO DE ANIMAIS É MAIS DANOSA AO CLIMA
DO QUE AUTOMÓVEIS
Por
Fernanda Müller, CarbonoBrasil
A
indústria de recursos animais contribui mais para o efeito estufa do que
os automóveis. Foi o que declarou Organização da ONU para Alimentação e
Agricultura (FAO - Food and Agriculture Organization), nessa quarta-feira
(29). A entidade também criticou o setor por ser uma fonte enorme de
degradação do solo e da água.
O relatório da FAO informa que, ao se medir as emissões de dióxido de
carbono (CO2) equivalente, o setor gera mais gases do efeito estufa do que
o de transportes. Sendo assim, a criação de animais equivale a 18% das
emissões antrópicas de carbono. Os números sem devem principalmente à
crescente demanda por carne e laticínios, alega a FAO.
A produção global de carne, que era de 229 milhões de toneladas em 2001,
deve mais do que dobrar para 465 milhões de toneladas até 2050, segundo a
projeção da ONU. Já a produção de leite deve subir de 580 milhões para
mais de 1 bilhão de toneladas ao longo do mesmo período.
“Quando são incluídas as emissões por uso da terra e por mudança no uso da
terra, a criação de animais responde por 9% do CO2 proveniente de
atividades antrópicas, mas produz uma quantidade muito maior de gases do
efeito estufa ainda mais prejudiciais”, explica o documento.
O setor gera 65% das emissões antrópicas de óxido nitroso, um gás 296
vezes mais potente em relação ao aquecimento global do que o CO2 - gás do
efeito estufa emitido em maior volume da atmosfera. Grande parte dessas
emissões é provenientes dos dejetos de animais.
O setor também representa 37% de todas as emissões de metano de origem
antrópica, gás com poder de aquecimento global 23 vezes maior do que o CO2,
e que é produzido em grande quantidade pelo sistema digestivo de
ruminantes. A criação de animais é responsável ainda por 64% da emissão de
amônia, que produz a chuva ácida. Além disso, a demanda por alimento do
setor contribui para a perda de biodiversidade.
O relatório propõe aumentar a eficiência da criação de animais e da
produção agrícola destinada à alimentação animal, além de melhorar a dieta
dos animais para reduzir a fermentação e as conseqüentes emissões de
metano.
(*) Traduzido por Fernanda Müller
Fonte: Agence France Presse
SÃO PAULO: CÃES-GUIA AJUDAM DEFICIENTES VISUAIS
Na Grande São Paulo, apenas seis dos 2 milhões de
deficientes possuem animais treinados.
Independência, flexibilidade, agilidade e confiança. Essas foram algumas
das palavras ditas pelo primeiro grupo de deficientes visuais ao ganharem
os “novos olhos”, os cães-guias. Isso só foi possível graças à iniciativa
inédita da Fundação Predicta em parceria com o Instituto Íris (Instituto
de Responsabilidade e Inclusão Social) que lançaram o projeto social
I.S.E.E. (Interactive Sight Engineering Experience), que tem no duplo
sentido do inglês “I see” seu segundo significado: eu vejo.
Por conta dessa parceria, quatro deficientes visuais (Kátia Antunes,
Genival Silva, Wagner Vancier e Clóvis Pereira) já estão na escola Leader
Dogs, em Michigan, Estados Unidos, onde ganharam seu cão-guia e agora
passam por treinamentos de adaptação para retornar ao Brasil, em dezembro.
Hoje apenas seis, dos mais de 2 milhões de deficientes visuais, na grande
São Paulo, possuem cães guias seriamente treinados para essa função.
“Não temos grande capacidade de investimentos, por isso, quando começamos
a Fundação Predicta, pensamos em abraçar uma causa na qual a nossa
contribuição fizesse uma diferença fundamental para a sociedade. O
cão-guia garante outra qualidade de vida ao deficiente visual e no Brasil,
embora exista a legislação para garantir o acesso dos cães aos locais
públicos, não existe treinamento adequado desses cães, que são uma
raridade”, explica Marcelo Marzola, diretor geral da Predicta. O intuito é
promover o projeto para que outras empresas se interessem em ajudar
proporcionando escala.
Sobre a Predicta
Fundada em 1999, a Predicta é uma empresa especializada em serviços de
inteligência e marketing online. A utilização dos serviços da Predicta
alavanca a capacidade e responsabilidade da Internet em se tornar um meio
de resultado para empresas que buscam se comunicar com seus clientes. Esta
promessa é cumprida através de uma solução integrada de ferramentas,
tecnologias e conhecimento necessário para gerenciar qualquer estratégia
de comunicação on-line imaginável, com eficácia e resultados comprovados.
Por Simone Fantini -
sfantini@singularcomunica.com.br
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