O QUE JÁ ESTÁ
ACONTECENDO:
- 11 dos 12 últimos
anos foram os mais quentes da história;
- Oceanos absorvem
80% do calor excedente gerado nos últimos anos, ajudando a aumentar
o nível do mar;
- Montanhas
glaciais e geleiras vêm derretendo em ritmo recorde;
- O nível do mar
subiu 1,8 mm entre 1961 e 2003; entretanto, entre 1993 e 2003, a
média de alta no nível do mar foi de 3,1 mm por ano;
- Temperatura na
região ártica dobrou nos últimos 100 anos;
- Desde 1978, a
cada década quase 3% da camada de gelo do Pólo Norte derreteu,
contribuindo para aumentar o nível do mar;
- Nível das chuvas
cresceu de forma alarmante nas América do Norte e do Sul, no norte
da Europa e no norte e no centro da Ásia;
- Secas aumentaram
no Sahel, Mediterrâneo, sul da África e partes do sul da Ásia;
- Água do mar no
hemisfério norte tem ficado mais fria; no hemisfério sul, o grau de
salinidade aumentou;
- Aumentou o número
de dias quentes e diminuiu a quantidade de nevascas e dias de baixa
temperatura;
- Desde 1970,
aumentou a incidência de tufões e furacões no Atlântico Norte;
O QUE DEVERÁ
ACONTECER:
- Temperatura deve
aumentar entre 1,8 º C e 4 º C ao longo dos anos;
- Até 2010, nível
do mar deve aumentar e, cerca de 59 cm;
- Chuvas devem
aumentar em cerca de 20% nas maiores latitudes;
- Corrente do
Golfo, do oceano Atlântico, diminuirá em cerca de 25% durante o
século, mas não impedirá aumento de temperatura;
OS EFEITOS DO
AQUECIMENTO
A temperatura da
Terra aumentará entre 1,8 ºC e 4 ºC até o fim do século, segundo o
relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC,
na sigla em inglês), apresentado hoje pela manhã em Paris. O texto
afirma que há uma "enorme probabilidade" de que o aquecimento se
deva à ação humana. O grupo, criado pela ONU (Organização das Nações
Unidas) e pela Organização Meteorológica Mundial em 1988, reúne
atualmente 2.500 cientistas de mais de 130 países e prevê mais
chuvas fortes, derretimento de geleiras, secas e ondas de calor.
Entre outras
conclusões, o estudo aponta a possibilidade do derretimento total do
gelo do Pólo Norte até 2100 e a redução da cobertura de neve em
outras áreas do planeta. Isso significará uma elevação do nível do
mar, que, de acordo com os diferentes cenários avaliados pelos
cientistas, poderia chegar a até 59 cm.
Nas próximas duas
décadas, a temperatura aumentará 0,2 º C por década devido ao efeito
estufa acumulado, e também será inevitável que o aumento continue ao
ritmo de 0,1 º C por década, ainda que o nível de emissão de
poluentes seja contido e se equipare ao nível de 2000.
O texto afirma ser
"muito provável", com mais de 90 por cento de probabilidade, que
atividades humanas, principalmente a queima de combustíveis fósseis,
expliquem a maior parte do aquecimento nos últimos 50 anos. O
documento é mais duro que o último relatório, de 2001, quando o IPCC
disse que a ligação era "provável", com 66 por cento de
probabilidade.
Os especialistas do
IPCC, que baseiam suas estimativas no compêndio das pesquisas
científicas realizadas nos últimos seis anos para corrigir os dados
de seu relatório anterior, de 2001, calculam que, de acordo com os
vários modelos, a escala de aumento das temperaturas poderia
aumentar entre 1,1º C e 6,4º C.
Fenômenos extremos
como ondas de calor e trombas d'água serão cada vez mais freqüentes
e os ciclones tropicais mais intensos, principalmente na velocidade
do vento e nas chuvas que provocam. Estas transformações obrigarão
dezenas de milhares de pessoas a abandonar suas casas e o número de
refugiados do clima será superior ao de refugiados de guerra,
alertam alguns especialistas.
As geleiras do
Himalaia estão derretendo, as ilhas do leste da Índia estão ficando
embaixo d'água e os desertos do país estão sendo inundados por
chuvas incomuns. Segundo ambientalistas, o cenário é um sinal dos
efeitos do aquecimento global no segundo país mais populoso do
mundo.
AULAS PRÁTICAS SEM ANIMAIS
Por Thiago
Romero - Agência FAPESP
Ao comparar o nível
de aprendizagem de dois grupos de alunos do curso de medicina que
tiveram aulas práticas demonstrativas com e sem utilização de
camundongos, pesquisadores do Centro Universitário Lusíada, em
Santos (SP), concluíram que é possível manter a mesma qualidade de
ensino com a substituição dos animais por outras fontes de
conhecimento.
O estudo se
concentrou na disciplina de histologia, que estuda os tecidos do
corpo humano, em aula prática referente à demonstração de técnicas
citológicas. O conteúdo ministrado aos 128 alunos, divididos em duas
turmas, foi idêntico, com diferença apenas na coleta das células. A
primeira turma coletou células dos órgãos de animais sacrificados e
a segunda utilizou células da mucosa oral dos próprios alunos.
O trabalho,
conduzido pelos professores Renata Diniz, Ana Lúcia Duarte e Charles
de Oliveira, foi publicado na Revista Brasileira de Educação Médica.
“Como a finalidade da aula era visualizar características celulares,
não importava se a célula fosse de humanos ou de animais, já que
componentes de interesse como o núcleo e o citoplasma são iguais em
ambos os casos”, disse Renata à Agência FAPESP.
Com as
demonstrações práticas das células encerradas, um questionário para
avaliação da aprendizagem foi aplicado nos alunos. As respostas
foram inseridas em um banco de dados informatizado e analisadas de
maneira quantitativa e qualitativa. “A análise estatística apontou
desempenho semelhante das duas turmas por não haver diferenças
significativas de acertos e erros nas questões”, afirma.
Segundo ela, o
trabalho não propõe a eliminação total dos animais em sala de aula.
“A idéia é apenas alertar professores da área de saúde para a
existência de outras metodologias de ensino que possam oferecer o
mesmo nível de aprendizagem respeitando a vida animal”, explica
Renata, ressaltando que, após os resultados do estudo, a disciplina
de histologia do Centro Universitário Lusíada não utilizou mais
camundongos em aulas práticas.
Outra metodologia
bastante utilizada no exterior e que está se tornando freqüente no
Brasil, explica Renata Diniz, são os modelos que imitam peles e
órgãos de animais e de humanos. “Hoje existem modelos que imitam a
elasticidade da pele para que o aluno consiga praticar técnicas
cirúrgicas. A vantagem é que o mesmo modelo pode ser utilizado
durante vários anos e o aluno pode praticar o mesmo procedimento
várias vezes. O animal, por sua vez, após ser sacrificado é
aproveitado em poucas aulas”, compara.
SENTIMENTOS
DIVERSOS
Em uma das questões
do questionário, os alunos tinham que indicar também três
sentimentos vivenciados na presença dos animais, a partir de 18
palavras listadas. Os sentimentos mais citados foram curiosidade,
ansiedade e tranqüilidade. Por outro lado, felicidade e orgulho não
foram assinalados por nenhum estudante.
Em seguida, os
sentimentos foram agrupados em positivos, negativos, curiosidade e
indiferença. Considerando os dois grupos analisados, o sentimento
negativo foi indicado por 50% dos indivíduos e o positivo por 18%.
De acordo com a análise separada dos sexos masculino e feminino,
verificou-se um predomínio de sentimentos negativos entre as
mulheres (61%) em comparação com os homens (27%).
“De maneira geral,
o comportamento emocional dos alunos muda com a presença de animais
em aulas práticas. Eles ficam mais agitados, principalmente os
homens, e acabam passando essa ansiedade para os colegas”, justifica
Renata Diniz.
Para ela, a alta
prevalência de sentimentos negativos entre as mulheres pode ser
explicada pela maior aversão em relação ao sofrimento dos animais.
“Os homens, talvez por uma questão social, tendem a disfarçar suas
emoções, o que explicaria o baixo predomínio de sentimentos
negativos relacionados aos animais de laboratório”, sugere a
pesquisadora, que também leciona no curso de medicina veterinária do
Centro Universitário Monte Serrat (Unimonte), em Santos.