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ASSOCIAÇÃO VIDA ANIMAL
RIBEIRÃO PRETO/SP

"Primeiro foi necessário civilizar o homem em relação ao próprio homem. Agora é necessário civilizar o homem em relação a natureza e aos animais."

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Fevereiro/2007

 

PÓLO NORTE PODE DESAPARECER ATÉ 2100, SEGUNDO RELATÓRIO DA ONU

 

O QUE JÁ ESTÁ ACONTECENDO:

- 11 dos 12 últimos anos foram os mais quentes da história;

- Oceanos absorvem 80% do calor excedente gerado nos últimos anos, ajudando a aumentar o nível do mar;

- Montanhas glaciais e geleiras vêm derretendo em ritmo recorde;

- O nível do mar subiu 1,8 mm entre 1961 e 2003; entretanto, entre 1993 e 2003, a média de alta no nível do mar foi de 3,1 mm por ano;

- Temperatura na região ártica dobrou nos últimos 100 anos;

- Desde 1978, a cada década quase 3% da camada de gelo do Pólo Norte derreteu, contribuindo para aumentar o nível do mar;

- Nível das chuvas cresceu de forma alarmante nas América do Norte e do Sul, no norte da Europa e no norte e no centro da Ásia;

- Secas aumentaram no Sahel, Mediterrâneo, sul da África e partes do sul da Ásia;

- Água do mar no hemisfério norte tem ficado mais fria; no hemisfério sul, o grau de salinidade aumentou;

- Aumentou o número de dias quentes e diminuiu a quantidade de nevascas e dias de baixa temperatura;

- Desde 1970, aumentou a incidência de tufões e furacões no Atlântico Norte;

 

O QUE DEVERÁ ACONTECER:

- Temperatura deve aumentar entre 1,8 º C e 4 º C ao longo dos anos;

- Até 2010, nível do mar deve aumentar e, cerca de 59 cm;

- Chuvas devem aumentar em cerca de 20% nas maiores latitudes;

- Corrente do Golfo, do oceano Atlântico, diminuirá em cerca de 25% durante o século, mas não impedirá aumento de temperatura;

 

OS EFEITOS DO AQUECIMENTO

A temperatura da Terra aumentará entre 1,8 ºC e 4 ºC até o fim do século, segundo o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), apresentado hoje pela manhã em Paris. O texto afirma que há uma "enorme probabilidade" de que o aquecimento se deva à ação humana. O grupo, criado pela ONU (Organização das Nações Unidas) e pela Organização Meteorológica Mundial em 1988, reúne atualmente 2.500 cientistas de mais de 130 países e prevê mais chuvas fortes, derretimento de geleiras, secas e ondas de calor.

 

Entre outras conclusões, o estudo aponta a possibilidade do derretimento total do gelo do Pólo Norte até 2100 e a redução da cobertura de neve em outras áreas do planeta. Isso significará uma elevação do nível do mar, que, de acordo com os diferentes cenários avaliados pelos cientistas, poderia chegar a até 59 cm.

 

Nas próximas duas décadas, a temperatura aumentará 0,2 º C por década devido ao efeito estufa acumulado, e também será inevitável que o aumento continue ao ritmo de 0,1 º C por década, ainda que o nível de emissão de poluentes seja contido e se equipare ao nível de 2000.

 

O texto afirma ser "muito provável", com mais de 90 por cento de probabilidade, que atividades humanas, principalmente a queima de combustíveis fósseis, expliquem a maior parte do aquecimento nos últimos 50 anos. O documento é mais duro que o último relatório, de 2001, quando o IPCC disse que a ligação era "provável", com 66 por cento de probabilidade.

 

Os especialistas do IPCC, que baseiam suas estimativas no compêndio das pesquisas científicas realizadas nos últimos seis anos para corrigir os dados de seu relatório anterior, de 2001, calculam que, de acordo com os vários modelos, a escala de aumento das temperaturas poderia aumentar entre 1,1º C e 6,4º C.

 

Fenômenos extremos como ondas de calor e trombas d'água serão cada vez mais freqüentes e os ciclones tropicais mais intensos, principalmente na velocidade do vento e nas chuvas que provocam. Estas transformações obrigarão dezenas de milhares de pessoas a abandonar suas casas e o número de refugiados do clima será superior ao de refugiados de guerra, alertam alguns especialistas.

 

As geleiras do Himalaia estão derretendo, as ilhas do leste da Índia estão ficando embaixo d'água e os desertos do país estão sendo inundados por chuvas incomuns. Segundo ambientalistas, o cenário é um sinal dos efeitos do aquecimento global no segundo país mais populoso do mundo.


 

AULAS PRÁTICAS SEM ANIMAIS

 

Por Thiago Romero - Agência FAPESP

 

Ao comparar o nível de aprendizagem de dois grupos de alunos do curso de medicina que tiveram aulas práticas demonstrativas com e sem utilização de camundongos, pesquisadores do Centro Universitário Lusíada, em Santos (SP), concluíram que é possível manter a mesma qualidade de ensino com a substituição dos animais por outras fontes de conhecimento.

 

O estudo se concentrou na disciplina de histologia, que estuda os tecidos do corpo humano, em aula prática referente à demonstração de técnicas citológicas. O conteúdo ministrado aos 128 alunos, divididos em duas turmas, foi idêntico, com diferença apenas na coleta das células. A primeira turma coletou células dos órgãos de animais sacrificados e a segunda utilizou células da mucosa oral dos próprios alunos.

 

O trabalho, conduzido pelos professores Renata Diniz, Ana Lúcia Duarte e Charles de Oliveira, foi publicado na Revista Brasileira de Educação Médica. “Como a finalidade da aula era visualizar características celulares, não importava se a célula fosse de humanos ou de animais, já que componentes de interesse como o núcleo e o citoplasma são iguais em ambos os casos”, disse Renata à Agência FAPESP.

 

Com as demonstrações práticas das células encerradas, um questionário para avaliação da aprendizagem foi aplicado nos alunos. As respostas foram inseridas em um banco de dados informatizado e analisadas de maneira quantitativa e qualitativa. “A análise estatística apontou desempenho semelhante das duas turmas por não haver diferenças significativas de acertos e erros nas questões”, afirma.

 

Segundo ela, o trabalho não propõe a eliminação total dos animais em sala de aula. “A idéia é apenas alertar professores da área de saúde para a existência de outras metodologias de ensino que possam oferecer o mesmo nível de aprendizagem respeitando a vida animal”, explica Renata, ressaltando que, após os resultados do estudo, a disciplina de histologia do Centro Universitário Lusíada não utilizou mais camundongos em aulas práticas.

 

Outra metodologia bastante utilizada no exterior e que está se tornando freqüente no Brasil, explica Renata Diniz, são os modelos que imitam peles e órgãos de animais e de humanos. “Hoje existem modelos que imitam a elasticidade da pele para que o aluno consiga praticar técnicas cirúrgicas. A vantagem é que o mesmo modelo pode ser utilizado durante vários anos e o aluno pode praticar o mesmo procedimento várias vezes. O animal, por sua vez, após ser sacrificado é aproveitado em poucas aulas”, compara.

 

SENTIMENTOS DIVERSOS

Em uma das questões do questionário, os alunos tinham que indicar também três sentimentos vivenciados na presença dos animais, a partir de 18 palavras listadas. Os sentimentos mais citados foram curiosidade, ansiedade e tranqüilidade. Por outro lado, felicidade e orgulho não foram assinalados por nenhum estudante.

 

Em seguida, os sentimentos foram agrupados em positivos, negativos, curiosidade e indiferença. Considerando os dois grupos analisados, o sentimento negativo foi indicado por 50% dos indivíduos e o positivo por 18%. De acordo com a análise separada dos sexos masculino e feminino, verificou-se um predomínio de sentimentos negativos entre as mulheres (61%) em comparação com os homens (27%).

 

“De maneira geral, o comportamento emocional dos alunos muda com a presença de animais em aulas práticas. Eles ficam mais agitados, principalmente os homens, e acabam passando essa ansiedade para os colegas”, justifica Renata Diniz.

 

Para ela, a alta prevalência de sentimentos negativos entre as mulheres pode ser explicada pela maior aversão em relação ao sofrimento dos animais. “Os homens, talvez por uma questão social, tendem a disfarçar suas emoções, o que explicaria o baixo predomínio de sentimentos negativos relacionados aos animais de laboratório”, sugere a pesquisadora, que também leciona no curso de medicina veterinária do Centro Universitário Monte Serrat (Unimonte), em Santos. 


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