Agência FAPESP – Quando se acumula ao redor dos vasos sangüíneos e
em diversos tecidos o amilóide - proteína que normalmente não está
presente no corpo humano – causa-se a amiloidose. A doença, rara e
incurável, pode ser potencializada pelo consumo de foie gras – uma
típica iguaria francesa feita a partir do fígado de gansos ou patos
superalimentados. A conclusão é de uma pesquisa realizada por
cientistas norte-americanos e suecos, que será publicada no site e
em breve na edição impressa da revista Proceedings of the National
Academy of Sciences (Pnas).
As amiloidoses são disfunções causadas pelo dobramento de proteínas
amilóides adquiridas ou herdadas, que são convertidas em agregados
fibrosos. O processo pode ser iniciado ou acelerado por nódulos
fibrosos formados a partir de precursores amiloidogênicos que servem
como Fatores de Potencialização Amilóide (FPA). O grupo fez uma
análise histoquímica de várias amostras de foie gras de pato ou
ganso
comercializado nos Estados Unidos e na França e constatou a presença
de amilóide.
Os dados experimentais, de acordo com os pesquisadores, fornecem
evidências de que comida que contém amilóide apressa o
desenvolvimento da amiloidose em uma população suscetível. A
amiloidose é uma doença rara, que afeta oito em cada 1 milhão de
pessoas. Progressiva e geralmente incurável, a patologia se
apresenta em diversas formas. Na amiloidose primária, a causa é
desconhecida, mas a doença está associada a alterações das células
plasmáticas, como o mieloma múltiplo. A amiloidose secundária é a
que está associada a outras doenças, como tuberculose, infecções dos
ossos ou artrite reumatóide, por exemplo. Há ainda a amiloidose
associada ao envelhecimento normal, que afeta particularmente o
coração. Normalmente, a causa do acúmulo excessivo de amilóide é
desconhecida. O acúmulo de grandes quantidades de amilóide pode
compromenter o funcionamento normal de muitos órgãos. Os sintomas da
amiloidose dependem do local onde amilóide se acumula. Muitos
indivíduos apresentam poucos sintomas, enquanto outros apresentam
uma doença grave e potencialmente letal.
REFLORESTAMENTO NÃO RECUPERA
DIVERSIDADE AMAZÔNICA
Ambiente Brasil - Uma pesquisa feita por uma universidade britânica
e um museu brasileiro, divulgada nesta terça-feira (13), revela que
o reflorestamento de florestas tropicais pode ser inútil na
tentativa de conservar a biodiversidade dessas áreas.
No estudo, pesquisadores da Universidade de East Anglia e do museu
Emílio Goeldi, de Belém (PA), analisaram quinze áreas de floresta no
nordeste da Amazônia brasileira, recolhendo informações sobre
animais e plantas em cinco florestas primárias (mata virgem), cinco
secundárias (que crescem sobre áreas antes desmatadas) e cinco
florestas de reflorestamento com árvores de eucalipto. Os resultados
revelam que pelo menos 25% das espécies analisadas não foram
encontradas fora da mata virgem.
Segundo Jos Barlow, cientista que participou da pesquisa, "o estudo
oferece o melhor cenário", já que as áreas de floresta secundária e
reflorestamento analisadas ficam relativamente próximas de florestas
primárias. "Muitas áreas de reflorestamento e florestas em
regeneração (...) estão muito mais distantes de florestas primárias,
e a vida selvagem pode não conseguir ressurgir nessas áreas."
Carlos Peres, pesquisador que liderou o estudo, disse que a pesquisa
deixa claro que é muito melhor preservar as florestas primárias do
que realizar o reflorestamento das regiões devastadas. "Desta forma,
nós maximizamos a biodiversidade e o índice de carbono de áreas
inteiras."
A pesquisa também indica que as florestas de reflorestamento não são
tão eficientes na absorção de dióxido de carbono da atmosfera, em
comparação com as florestas primárias.